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quarta-feira, julho 17, 2013

Oito Maravilhas



No Verão de há 15 anos, não era a Expo ’98 nem o Portugal “in fashion” de Guterres que faziam sonhar o povo. Todos sabíamos que o que aquecia os nossos corações era o aproximar de mais uma época de bola… e esta colecção em particular, de uma qualidade gráfica a roçar os melhores trabalhos de 1940 (coincidentemente, outro ano de exposição lusa ao mundo).

Na pérola do Atlântico, este guardião belga cimentava a sua posição entre os postes. Um nome forte, suficientemente exótico mas razoavelmente pronunciável, e um queixo quadrado à lá Stan Smith. Foi o último de uma linhagem de guardiães da terra do Tintin que adocicaram as nossas cadernetas, depois dos bons auspícios de Hubart, passando pelo anti-vedetismo de Preud’Homme e decaindo para a marreca do De Wilde. Van der Straeten caiu injustamente no esquecimento, mas se quiserem podem visitar a sua página no Facebook e segui-lo só por uma questão de compaixão. Todos os likes serão bem-vindos e ajudarão Van der Straeten a fazer as pazes com o seu ego.

À frente de Straeten, Alex Bach. A grande dúvida à volta de Bach era se pronunciá-lo como “bache”, “baque” ou “barrh” – chamá-lo só Alex era quase sacrilégio depois do retumbante êxito de Alex, o Bunbury. A outra dúvida era se o tipo era mesmo descendente do compositor, o que poderia conferir-lhe um certo prestígio que nunca justificou em campo. Com tantas indecisões, Alex not Beethoven demorou a afinar marcações, falhou alguns tempos de salto, deu sinfonias de como não jogar em linha e foi escrever árias para outra freguesia finda esta época… para nunca mais voltar a jogar fora do seu país. O Passo Fundo, o Sapiranga e o Chapecoense que o digam.

Rodando a agulha para Chaves, damos de caras com uma cara sobejamente conhecida… aparentemente. Este parece, numa primeira instância, o velho Filipe, tão largamente dissertado nestas páginas etéreas. Mas numa vista mais cuidada, notamos que, na verdade, é o seu gémeo perdido, o Filife. Filipe era devastação, Filife era criação. Filipe cravava pitons, Filife cravava trocos para a disco. Filife é uma contracção anglicista de “feel” + “life”, “sente a vida”. Como todos os que saboreiam a vida no limite, Filife teve vida curta e desapareceu dos radares após esta temporada. Filipe não ficou atrás e também se eclipsou nesta temporada dos palcos maiores do futebol indígena.

No velho Salgueiral ainda pululavam estrelas cadentes do futebol. E quando estas faziam finca-pé e teimavam em rejeitar o solene Vidal Pinheiro, então arranjavam-se imitações que faziam corar os originais. Senão de espanto, talvez de embaraço. Eis Schuster, não o genial alemão, mas o prodigioso transmontano Rui Miguel, que fez gala do seu penteado à tigela e da sua cara sacada a um anúncio seminal das batatas Pála-Pála. Viveu a “personna” de Schuster (sem “c”) com muito afinco. Isso levou-o a inquietar-se rapidamente com os ares de Paranhos, desatando a correr meio mundo. Com direito a visitar o óbvio Chipre, onde distribuía autógrafos em que assinava “I’m The Real-Fake Schuster”. 

Voltemo-nos agora para Coimbra, onde damos de caras com uma cara bem conhecida do showbiz internacional: nada menos que o aclamado Febras. Não, não é o Febras, que também é uma eminência à sua maneira, mas é o Mickey. Médio laborioso e conhecido mundialmente por namorar a ratinha mais famosa do Universo, foi mui respeitado nas hostes beirãs, nomeadamente pela claque Mancha Negra. Até que caiu a moeda e pensaram “Oh diabo, então a Mancha Negra apoia o Mickey? Temos sido muito Patetas…”. O paradoxo atingiu dimensões colossais e, aqui d’el Coronel Cintra, Mickey foi forçado ao exílio. 

A mística conimbricense, contudo, continuou presente nas mãos do Sr. Vítor Alves. É verdade, houve um Pedro Roma antes de Pedro Roma. Este secular senhor, aliás, já pouco mais fazia do que carregar a mística, pois jogar era coisa que já lhe pesava demasiado nas articulações. E só Deus sabia o quanto lhe custava aguentar com a mística e quantos emplastros foram necessários para levar a mística a bom porto. Nesse sentido, o trabalho que menos lhe custava era babar-se para uma garrafa enquanto estava no banco, garrafa essa que depois era ofertada como “água mineral da boa” aos caloiros da equipa.

Nesta turma de estudantes pontificava ainda o monossilábico Tó Sá, bastas vezes referenciado por aqui, mas cujo perfil só agora é condignamente exposto. Foi lateral de créditos firmados, pertencente a uma casta em que abundavam Tós no panorama nacional. E Zés e médios obscuros com II no nome também. E chegava a haver, numa conjugação perfeita, o Tó Zé II. E Tó Zés e Zé Tós no mesmo plantel. E quando Sá ainda era sinónimo de apelido de goleador de culto para alguns (sim, estamos em pensar em ti, Moreira de Sá) (não, por acaso não estávamos a pensar em ti, Orlando Sá) e não nome do meio para futuras vedetas pseudo-boxistas.

Pois, o Bira… Bira? “Mas quem é o Bira?”, é a nossa pergunta e a dos próprios companheiros de equipa, desde o Hugo Costa ao Caju. Se o Bira era bera… é bem provável que sim. A qualidade gráfica do cromo, essa sim, é indiscutivelmente (olá, Guilherme Aguiar) bera. Podemos dizer que Bira gostava de beber cerveja por uma palhinha. Ou podemos dizer que Bira dava cambalhotas sempre que ouvia Chitãozinho & Xoróró. Ou ainda que ele contava sempre aquela anedota do palhaço que foi encontrado no deserto todo nu e com um baralho de cartas na mão e ninguém percebia. Pode ser verdade, pode ser especulação, ninguém sabe e ninguém se importa. E isto é tudo o que se nos apraz dizer sobre o Bira. Já não é mau.

terça-feira, março 08, 2011

Quem Vê Caras Não Vê Relvados

Quando não há jogos, este recinto polidesportivo também serve para mini-safaris
Este é o recinto da Oliveirense, em meados de 2010. Vamos designá-lo apenas por “recinto”. Normalmente, as equipas profissionais jogam em relvados, um pouco por todos os cantos deste mundo redondo. Porém, chamar a isto “relvado” poderia induzir certo gado bovino e ovino em erro e provocar-lhe indigestões escabrosas. Denominar-lhe de “mato” também seria ofensivo para o verdadeiro mato. “Pista de motocrosse” seria mais plausível, mas faltam algumas rampas. E não, não é o areal de Alvalade em meados dos anos 90, o tal que fazia o Hadji sentir-se em casa, pese embora o esforço de emulação.

Mesmo que alguns duvidem, este era mesmo o “recinto” da Oliveirense, como atesta a publicidade à Simoldes, e a Oliveirense deixou-o posar ao natural para os “Cadernos d’A Bola”, despindo-se de preconceitos. Previsíveis ondas de polémica se levantaram após este desbocado nu integral. Antes destas ondas serem consideravelmente abafadas pelos socalcos de areia, lama, relva mumificada e matéria viscosa largada pelo nariz do Bafode na época passada, foi possível recolher algumas reacções do mundo da bola.

Chico Sliva: "É dos carecas que elas gostam mais".
Começando por alguém da casa: Chico Silva. É verdade, é mesmo um Chico a sério, quem diria?, 24 quilates, um Chico proveniente de uma casta seleccionada, que também é Silva a tempo inteiro. Este Chico não é excepção à longa tradição dos Chicos e, como tal, não é homem de virar a cara à adversidade. Aprecia campismo selvagem e pisca o olho ao naturismo. Adepto de documentários do National Geographic sobre sobrevivência em condições extremas, está convicto que vai ser capaz de passar uma bola em condições sem contrair uma lesão e vê a possibilidade de jogar neste recinto como uma oportunidade e não como uma ameaça. Até porque esta vai ser a sua casa e é bom que se vá habituando.

Paulo Sousa: "Olha-me só esta m..."!
Paulo Sousa, médio incansável do Paços de Ferreira, até pôs os bofes de fora. "Fosga-se, eu já disputei bolas em pântanos pejados de crocodilos com dentes mais afiados que os do Sá Pinto na fase pré-aparelho, mas isto é pior que o Adelino Ribeiro Novo". De facto, estava habituado a carregar pianos em pisos que até os búfalos considerariam indignos de pisar, mas isto parecia demais. Colhido pela surpresa de poder jogar neste recinto, Paulo Sousa olhou para os céus à procura de uma resposta que lhe apaziguasse o coração. E essa resposta chegou-lhe sob a forma de carrinho e embrulhado com um belo cartão amarelo de apresentação. O costume, portanto.


Tarcísio: "As orelhas não são postiças".
Mas surpresa, surpresa, foi a sentida por Tarcísio, defesa do Freamunde. “Oi? Como é?”, parece desabafar o desamparado brasileiro. “Hã”? Colhido pela estupefacção, Tarcísio temeu pela sua sorte. “Como é meismo? Vô botá meus péis nêssi gramado aí?... Olha aí, isso não é gramado pra eu”! Tarcísio viu-se grego, metido em palpos de aranha, fez trinta-e-uns por sei lá quantas linhas e suou as estopinhas para esconjurar o perigo. No processo, abateu duas ou três toupeiras que se levantaram dos buracos no chão. Sobreviveu mas não quer repetir a experiência. Antes fosse sodomizado pelo Luiz Carlos no balneário como se fosse o Último Tango em Freamunde. Com ou sem margarina (Nicolau) Vaqueiro.


Luiz Carlos: "Não só ladro como também mordo".
Luiz Carlos, o duro, podia perceber de sodomizações, mas recintos de jogo com uma manutenção pior que a do pior lavabo público do Chade não eram do seu agrado. É certo, favoreciam o seu jogo viril e directo, polvilhado com uma cabeçada e um balão extemporâneo aqui e ali, mas os seus rins ressentiam-se e pedras do tamanho do Dominguez ameaçavam tomar conta deles. A verdade é que o estilo de jogo de Luiz Carlos, uma espécie de Vidigal maldisposto, devia pouco ao estado do terreno. O jogo de Luiz Carlos é robótico, no sentido dos seus movimentos assemelharem-se ao do gajo de feiticeiro de Oz sem nenhum vestígio de óleo nas juntas – aparentemente, o Rui Costa recusou abrir mão do seu vasto portfolio de substâncias oleosas, alegando “ah, são cenas minhas e tal”, indo depois esbofetear um delegado ao jogo escolhido ao calhas no meio de uma confusão.

Sougou: "Bah".
Esperem aí, Rui Costa foi meter-se numa confusão? Bah, nada de especial, parece querer dizer Sougou. O arisco senegalês resignou-se. Não quer discutir mais. Se tiver que jogar nesse campo, olha, lá vai ter que ser. Pois, cá vamos indo, a vida é assim, umas vezes a correr como Forrest Gump junto às faixas, outras vezes abalroado sem dó nem piedade por centrais com níveis sofríveis de afectuosidade, e pronto, sempre é melhor do que andar a vender girafas de madeira esculpidas à mão em feiras de artesanato. Sougou é como se fosse o Mancha Negra, mas em bom, e todos nós somos Coronéis Cintra que andamos atrás dele para o ver fugir aos foras-de-jogo e serpentear por entre os defesas. Sougou tem tanto de velocista como de mártir e toda a gente tem pena dele, especialmente quando o vêem jogar em recintos como este.

Mas nas costas depois dizem que o Sougou cheira mal.

E não é por nada, mas contaram-me que vocês nem sabem o pivete que o Sougou larga depois dos jogos, assim quando está todo encharcado em suor.

Imaginem o que é estar fechado num balneário sem água e com o Sougou nestas condições sentado ao vosso lado a comer uma sandes de queijo.

Se calhar também desabafavam às escondidas.

Pá, foi o que eu ouvi dizer.

Que o Sougou é um mártir, que joga muito bem pelos flancos e que é gajo cinco estrelas, tudo bem.

Mas cheira mal e devia investir mais no Axe.


RUI SANTOS PERGUNTA:


Sougou devia usar desodorizante?

700800901 Sim, Axe.

700800902 Sim, marca branca.

700800903 Só quando fosse ver a namorada.

700800904 Não, nem pensar.

700800905 A culpa é do Xistra.




Resultados do inquérito da semana anterior:

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico?

Sim 9%

Não 65%

Prefiro gastar 0,60 € + IVA noutra coisa qualquer 23%

Zeferino Boal 3%

quinta-feira, julho 22, 2010

Fatih, a bola e cotão de umbigo.

Hoje temos a enorme satisfação de poder deliciar-vos com uma iguaria do mais alto calibre: uma opípara cromo-entrevista com o incompreendido bad-boy do futebol turco-neerlandês, Fatih Sonkaya.

CDB : Fatih, boa tarde. Antes de mais, deixe-nos congratulá-lo pela inequívoca demonstração de inépcia que desenhou na relva lusitana ao cabo de três longos anos.

FS : Ora essa. Só tenho pena que nunca me tenham visto de bigode. Curiosamente, a fase em que o deixei crescer coincidiu com a altura em que deixei de ser convocado no FCP. Ou seja, passado o primeiro mês da época de estreia.

CDB : Quando toparam que afinal o Fatih não valia puto…

FS : Sim, provavelmente. E ainda demoraram umas semanas para chegar a essa conclusão. Pobres diabos.

CDB : Ainda assim, sagrou-se Campeão Nacional…

FS : É verdade, e também contraí gonorreia. Passei bons tempos aí em Portugal.

CDB : Mas certamente não estaria à espera de realizar tão poucos jogos, tanto no Porto, como em Coimbra.

FS : É a vida. Também não estava à espera que ao aceitar um copo duma miúda na noite, fosse mais tarde acordar numa banheira, coberto de gelo. Mas acordei.

CDB : Roubaram-lhe um rim ?!? Isso explica a falta de exuberância física no tapete verde…

FS: Não, não…O rim ficou cá dentro. Pelos vistos a miúda só queria um autógrafo e violar-me. Ela pensava que eu era uma estrela de Bollywood. Quando pegou no B.I. e viu que eu era o Fatih Sonkaya, enfiou-me numa banheira e foi-se embora. Nem quis o meu rim. Nem sequer violar-me. (suspiro)

CDB : Vejo que o Fatih não teve uma vida fácil em Portugal, ao contrário dos seus adversários directos.

FS : O que quer insinuar com isso?

CDB : Bem, o anafado amigo tem a noção que desde o momento da sua contratação (2005) que o Estado Português tem uma comissão de inquérito a trabalhar 24/7 para descortinar alguma característica que possa ter levado o FC Porto a considerá-lo um jogador de futebol. Aliás, um jogador de futebol passível de ser contratado por um clube profissional.

FS : Bem sei, e também estou a par que os gajos ganham cerca de 5 milenas/mês, e têm a reforma garantida por inteiro ao cabo de 2 anos de casa. Mais apartamento na baixa, carro e gasolina à pala até 2033. Comissões de inquérito rulam. A mim não me escapa nada.

CDB : A bola costumava escapar. E o adversário também.

FS: Sim, nunca fui grande coisa a jogar futebol. Mas a coleccionar cotão de umbigo? Oh meu amigo, aí ninguém pára o Sonkaya allez oh.

CDB : Cotão de umbigo?

FS : Sim. Sou muito bom nisso. Cheguei a ser federado quando era petiz, na Holanda. Mas os meus Pais nunca me apoiaram. “Ah, devias era seguir uma carreira na bola, tens nome de jogador, dois pulmões e um centro de gravidade estável…"
Sempre achei essa conversa uma grande treta, mas enfim. Era isso, ou voltar a vender pêlo do sovaco para fazer perucas…e a família precisava do graveto.

CDB: Mas então deixou de coleccionar cotão no umbigo?

FS: Não, não…sempre desenvolvi essa capacidade como um hobby, ou uma actividade paralela, se quiser. Mas é difícil de conciliar com o futebol. Se corremos muito, suamos, e o cotão vai por ali abaixo na enxurrada. É difícil atingir um nível de estabilidade de cotão que nos permita armazenar uma quantidade apreciável.
Por esse motivo costumava guardar o cotão numa caixinha no balneário…e depois dos jogos voltava a colocá-lo no sítio: no meu umbigo quentinho.















CDB :
Ah, então ao contrário do que demonstrava na lateral-direita, o Sonkaya é um homem de muitos recursos.

FS: Bem, na teoria sim. Na prática, esta ideia não resultou por aí além, já que o Marek Cech ia amiúde ao meu cacifo e comia o cotão quando eu estava nos treinos.

CDB:
Está a afirmar que o Cech comia o seu cotão de umbigo??

FS : Sim, isso e ameijoas. O gajo gostava de ameijoas.

CDB : Hm. Ficou orgulhoso por ter deixado escola em Portugal ? Pouco tempo após a sua saída, o FC Porto acabou por contratar outro lateral com as suas características: Nélson Benítez.

FS : Sim, é verdade. Vieram-me as lágrimas aos olhos. O homem era em tudo idêntico a mim, mas jogava na esquerda. Era como ver-me ao espelho:
O Nélson não tinha pés, tinha tijolos octogonais ligados aos tornozelos.
O Nélson não tinha físico de jogador profissional, parecia um miúdo de 14 anos com atrofia muscular e herpes facial.
O Nélson era mau cabeceador, defendia mal, atacava ainda pior e tinha a velocidade de um caracol coxo – e morto.
A pedra de toque foi quando o vi tirar um cruzamento pela primeira vez : era capaz de jurar que Maomé carpiu lágrimas de sangue e matou quinhentas virgens mal a bola lhe saiu do pé. Foi um momento horrífico. Mas gratificante.

Nesse preciso momento soube que o meu legado estava em boas mãos.

CDB/FB: (abraço fraterno, acompanhado de sentido choro de homem)

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Académica para Crianças

Era uma vez...

Um Abazai que se ria
Fosse noite ou fosse dia
dos colegas e do plantel,
como prova a fotografia.

E porque ria Abazai?
Seria do plantel e do entra e sai?
Ou Seria da briosa e do seu futebol em prosa?
Sim, porque em 97-98, jogavam como um doce biscoito
( fazer rimas com numeros tem que se lhe diga..)

E lá estava a Académica a jogar um belo futebol
quer à chuva quer ao sol.

Mas por que se ria Abazai?
pois bem...
Só agora se percebeu o que ia no clube treinado por Romão e Calisto nesse ano.
Se juntarmos as peças cuidadosamente percebemos que:

A culpa era do Mickey que não gostava de Febras ao pequeno almoço.
Para acabar com o problema precisava de algo divino... então foi-se Mounir de uma Cruz e, forte que nem uma Rocha, foi pelos Campos fora a Roma sozinho, tendo-se cruzado com o Abazai pelo caminho.


Moral da história: Treinos de manhã, só com Leite e Cereais.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Festa da Taça

Este post simples e eficaz quer homenagear 2 cromos da bola que entraram na festa da taça, através do descohecido Monsanto, da II Divisão B.

MARÇAL - campeão pelo Boavista, a sua carreira foi sempre a descer, mas lá está de novo na ribalta. Todos se lembrarão do cabelinho amarelo, perinha amarela...um visual sui generis no Setúbal. Passou ainda por Felgueiras, Ovarense e até pelo Lixa!


VÍTOR ALVES - Ex guardião da Académica de Coimbra, jogou até final dos anos 90. Era o eterno suplente da equipa dos estudantes, atrás de Tó Luís, Sérgio, Pedro Roma...

mas jogou com Latapy, Lewis, João Tomás, Febras, Dário, o grande Dinda... entre outros. Vítor Alves deve ser um baú de boas histórias cromáticas dos relvados portugueses...

Obrigado Taça por trazeres para a montra do futebol verdadeiros monstros da bola.

quinta-feira, julho 09, 2009

Mosaico Cromático

Estamos na Primavera futebolística, altura em que florescem novas ninhadas de cromos prontas a saciar a sede da massa adepta. É agora que os empresários e dirigentes saem debaixo da penumbra que os envolveu durante todo o estado de hibernação para copularem desenfreadamente em mercados distantes, fazendo despontar mil e uma ilusões sob a forma de um penteado esdrúxulo ou de um nome peculiar por um mero punhado de euros.
É certo que lamentamos a partida de algumas figuras que deram água pela barba à nossa SAD, mas a vida de um cromo é mesmo assim: uma bola a escapulir pela linha final, um atraso na chegada ao treino e, tumba!, lá se vai o cromo.
Felizmente, 2009-10 promete ser uma época tão profícua como as anteriores, deixando a nossa SAD imune à crise que dizem que grassa por aí (Cristiano Ronaldo que o diga).
Só para terem uma ideia, produzimos uma pequena peça artística apenas com algumas caras recém-chegadas à nossa I Liga, excluindo os três da vida airada (sabendo que o Sporting ainda está envolvido nas obras de reconstrução da Academia e o Benfica está a descobrir contratações para o FC Porto remodelar o plantel).

Uma plêiade de cromos bem intencionados e bem fotogénicos, mas que, infelizmente e como dita a Mãe Natureza, terá muitas dificuldades em resistir aos primeiros meses de vida na sempre dura I Liga deste nosso rectângulo. O espaço que medeia entre Julho e Setembro será vital para determinar quais os cromos desta fornada que terão algum sucesso e aqueles que… bem, apenas conseguirão que a nossa SAD se lembrasse deles. Também não nos podemos esquecer que, por vezes, estas novas crias cromáticas são acossadas pelos cromos já residentes, numa dura competição pela sobrevivência ao jeito de um programa da National Geographic aplicado à cromice dos balneários lusitanos.
Analisemos os nomes destes nados-vivos para a principal selva do futebol português de 2009-10:

NAVAL: Quatro crias para preencher a defesa, o meio-campo e o ataque: Lupedo, N’Kake, Aboubacar Tandia e o regresso de um dos nomes mais queridos dos caçadores furtivos de cromos da nossa praça: Ouattara. Um nome sempre em alta nas bolsas cromáticas e que promete não deixar os seus créditos por mãos alheias.

LEIXÕES: Também um ataque à cromice em toda à linha, com Cauê, Patrão, Faioli e o pouco simpático Trombetta.

BELENENSES: Mais modesto nas contratações de campo para compensar o afinco técnico-jurídico com que trabalha na secretaria. Barge e Yontcha dão, porém, um ar de sua graça.

GUIMARÃES: Um norte-americano, Kamani Hill, e um defesa, Lazzanetti, são as principais crias cromáticas do defeso vimaranense.

NACIONAL: Depois da alta taxa de natalidade cromática dos últimos anos, o Engenheiro Alves fez as contas à vida e concluiu que a segurança social nacionalista não podia aguentar aquele ritmo descompassado. Daí a implementação de uma política cromo-contraceptiva à qual escaparam Nejc Pecnik e Elisson.

MARÍTIMO: Nada a assinalar, a não ser repetir um nome que o site zerozero já indicava como parte do plantel de 2008-09 mas que, sinceramente, não nos cansamos de repetir: Takahito Soma, o japonês dos campeonatos nacionais. Veremos se fará hara-kiri ao primeiro copo de saké ou se será o kamikaze dos Barreiros.

PAÇOS DE FERREIRA: Três singelos nomes que não ultrapassam as quinze letras todos juntos: Rondon, Ciel e Bamba (não confundir com Bambo nem com a mulher dele; ele é Bamba como a corda).

SETÚBAL: Os ares de recessão do Sado não impedem que se tragam nomes do quilate de Djikiné e Ladji Keita.

ACADÉMICA: O mais sintético dos reforços equipa de negro: Bru. Espera-se que gere um grande Bru(á). Nem que seja pelo seu penteado Milli Vanilli.

RIO AVE: Tempos de contenção junto às Caxinas. Mas ainda há um Wesllem para apreciar.

BRAGA: Saudosos os tempos do Ganga, Johnny Rodlund e Kim… Talvez Joabe desperte alguma atenção cromíflua.

LEIRIA: Alguma expectativa em torno do guardião Andjelko Djuricic (o novo Miroslav Zidnjak?) e de Sow (o novo Salam Sow?)

OLHANENSE: Autêntica mãe de aluguer cromática desta competição, abraçando todos os filhos que o FC Porto deserda. Desta creche imensa, destaca-se o irascível Zequinha, agora com a oportunidade de ouro para agredir algum interveniente do jogo em prime time. Para além dele, há o Gomis (com “i”).

Resta-nos desejar a todos eles boa sorte… e em Janeiro cá estaremos para analisar uma nova prole.

quinta-feira, março 12, 2009

A Balada de Vítor Vinha

Vítor Vinha disse que o Vinha vinha ver a sua vinha
Mas não veio
E que Valente vinho vem da vinha do Vítor Vinha
Que vasta videira o Videira vendeu ao Vítor Vinha
Mas o Vinha vinha vendo
Que o vinho que vinha da vinha do Vítor Vinha valia vinagre
E vai daí

Vítor Vinha avisou o Vinagre para vir ver a vinha
Mas o Vinagre fez como o Vinha
Fez como o Vinha e não veio ver a vinha do Vítor Vinha
Ele disse que se viesse ver a vinha do Vítor Vinha
Depois vinha vaiar o Vinha a Vinhais
Fez como o Vinha e não veio ver a vinha do Vítor Vinha

E na volta
Vinha ver como o João Viva vivia a sua vida
E Vítor Vinha deu um viva ao João Viva
Pois Viva vinha ver a sua vinha
Viva o Viva por avivar a vinha do Vítor Vinha
E para evitar ver o Vinagre a vaiar o Vinha em Vinhais
O Viva viveu na vinha do Vítor Vinha até o Vinha vir de Vinhais

domingo, julho 29, 2007

O Filho do Vento

















vento
,
do Lat. ventu,
  • s. m.,
corrente de ar provocada pela diferença de pressão entre várias camadas ou zonas da atmosfera e que se desloca em certa direcção;
ar agitado por qualquer meio;
Etienne N'Tsunda;
  • fig.,
sorte, influência favorável ou contrária;
flatulência;
coisa rápida;
...
Etienne N'Tsunda, o Filho do Vento, foi um mistério para muita gente, durante muitos anos. Inclusivé para Sir Bobby, que o resgatou de uma carreira votada ao anonimato na equipa de atletismo do Orlando Pirates, transformando-o num maxi-single habitual na cassete pirata dos hits de verão preferidos dos portugueses.

Habituado a jogar num clube que foi buscar o seu nome a gajos com perna de pau e pala no olho, o congolês sentiu o peso da camisola do Dragão. Não foi fácil partilhar o balneário com colossos do nível de Ronald Baroni e Walter Paz. Especialmente porque o peruano deixava constantemente a tampa da sanita levantada e o argentino tinha como banda preferida os Def Leppard.

Afectado por estes execráveis contratempos, o rendimento de Etienne sofreu. O Filho do Vento não passava afinal de uma tímida brisa. Sir Bobby viu-se confrontado com a hipótese da contratação via K7 audio enviada pelo ajudante de roupeiro do Orlando Pirates (cunhado de Etienne, advogado criminal de Zwane, e representante da Adidas no Zimbabwe) não ter sido 100% fiável.

"I don't perceebo it. Pelo sound, el jogadorr parcia good. Eu even disse ao Dmingas: primeira part...good. Segonda part...not good. Dmingas remate poste, should have been goal. Je suis très content.", afirmava Sir Bobby no seu português irrepreensível.

Na verdade, o clube não abandonou o método de utilizar a K7 audio como principal instrumento de prospecção, como atestam as posteriores contratações de Da Silva e Alejandro Diaz.
Porém, o Filho do Vento jogava como um Bastardo da Bola, chutando o esférico corpo estranho de uma forma tão inepta, que mais parecia estarmos a presenciar nova impagável incursão de Paulo Madeira a ponta-de-lança.

Eis que o clube das Antas, certo que N'Tsunda estaria ainda demasiado verde para passar de brisa a vendaval (com isto, não estamos a fazer nova incursão no precioso Mundo das piadas de flatulência - apesar da oportunidade acima oferecida pelo dicionário), decidiu cedê-lo à II Liga, por via de Penafiel e Académica, onde o africano brilhou como Manuel Subtil numa casa de banho da RTP.

Tal demonstração de força e irreverência não foi ignorada pelos primodivisionários, e o GD Chaves reabriu-lhe as portas do palco principal. Agora Etienne era um actor de sucesso, uma Floribella (sem alusão aos equipamentos alternativos do Benfica 07-08) no prime time da bola lusitana. Ao lado de Sabou, Matute e Ovidiu Cuc na frente de ataque flaviense, o Filho do Vento só poderia brilhar. E brilhou. Qual remate de Pavlin furando as redes adversárias, o fulgor do nosso herói era inigualável, e a sua velocidade destruía os laterais adversários como as três gajinhas do anúncio da netcabo destroem a paciência colectiva de um Povo.

Porém, a troca de Chaves pelo berço da Nação em 1998 revelou-se fatal para a carreira de Etienne, pois a sua convivência com David Paas seria conflituosa ao ponto de voltar a transformar a sua furacónica ventania num débil sopro de um franzino petiz. É que Paas jurava a pés juntos que Fangueiro era o jogador mais veloz do plantel vimaranense.

Com a autoestima devastada, o africano abandonou Portugal, apenas para regressar de forma inglória já no Séc. XXI para representar os secundários SC Freamunde e o outrora orgulhoso FC Famalicão, mas já era tarde. N'Tsunda era apenas uma anafada sombra de si mesmo. "Filho de Uma Lenta Deslocação de Ar"!!!, gritavam as bancadas nortenhas, apupando impiedosamente o ex-sorridente protégé de Sir Bobby.

"Ao menos se tivesse uma mega-mullet como a que o Rafal Grzelak exibirá em 2007...", murmurava o derrotado congolês parante a confirmação da inexorável marcha do tempo...

terça-feira, junho 12, 2007

O Rei no Naldo.

A ponta na lança.
O Paulo no Alves.
O correr parado.
O entrar cansado.
O Gervino amarelado.
O Tahar avermelhado.
O Bilro concentrado.
O Kimmel com ar de alucinado.
O Pedro Miguel... sempre penteado.
O Bambo sempre ao lado.
O Fua tão estimado - esférico cruzado.
O cruzamento alcançado.
O balón rematado.
O chuto ao lado.

Meu nome é Reinaldo - e é este o meu fado.

sexta-feira, março 02, 2007

Marcegol


Não deixe o penteado cuidado, meticuloso e pejado de gel enganá-lo. Não estamos a falar de um jogador de finesse. Ponha a pena e o tinteiro de parte e pegue na esferográfica bic. Tire esse fatinho Armani e vista o seu fato de treino Lacatoni. Vamos falar de Marcelo.

Goleador implacável, nunca passou de um jogador banal até chegar ao quasi-Uefeiro Tirsense de 1993 - 1995, onde alinhou com outros grandes do panorama cromífluo nacional.

Porquê só em Sto.Tirso? Quiçá por disfrutar da liberdade que advém de ter as costas guardadas por Goran, Rui Gregório e Paredão. Quiçá por receber a redondinha dos mágicos pés da quase-recente contratação do 1º de Dezembro, Hugo Porfírio, e do benigno sósia de Paulo Nunes, Giovanella. Quiçá por formar com o mini-Hasselhoff a dupla de ataque mais opressiva e ditatorial de que há memória: a dupla Marcelo/Caetano. Quiçá simplesmente porque gostava de tremoços, Marcelo despontou em Santo Tirso, qual flor desabrochando através de uma fenda de um passeio de betão urbano.

Segue-se o Sport Lisboa. Formava-se uma excelente equipa de matrecos para os lados da Luz, e paralelemente também tentavam construir algo que se assemelhasse a uma squadra de futebol. Para tal, a instituição antecipou-se aos grandes clubes da Europa, e assegurou a aquisição do "Pack Jesuíta 1995/1996", que incluía o próprio Marcelo, um Paredão pré-Chelsea, três sacos de amendoíns, um calendário da Ferbar e um corta-unhas com a imagem da Nossa Sra de Fátima. Em troca, o Benfica forneceu à agremiação de Santo Tirso os direitos de imagem do futebolista Paulão e três baralhos de cartas com fotos dos melhores cortes em carrinho do defesa Pedro Henriques.

Em Lisboa, apesar de ser um dos jogadores mais utilizados do plantel e fazer equipa com portentosos facilitadores da bola como Mauro Airez e Iliev, Marcelo só fez sete golos durante a época inteira. De realçar que três foram marcados com o tornozelo, dois com a canela, um com o ombro, e um com a nuca.

Dado o sofrível total nunogomesco de tentos efectuados, este guerreiro da grande área foi de pronto ostracizado para abrir caminho para o trio Pringle-Hassan-Akwá, que estaria destinado a devolver momentos de glória ao clube. De costas voltadas para Portugal, Marcelo aventurou-se no estrangeiro: "Pô, se o Paredão consegue ser um cromo do football da Premiership, então o Marcelo vai virar artilheiro...Gente, tô com fome. Quero um brigadeiro."

Passagens rançosas pelos temíveis Alavés, Sheffield Utd, Birmingham e Walsall demonstraram-nos o contrário. Porém, o resiliente luso-brasileiro não estava acabado. Decidiu acabar a carreira onde a tinha começado nos anos 80: na Coimbra dos Estudantes, onde nos ensinou que estava de facto mais do que acabado prá bola. E que ensaboadela foi.

sábado, abril 29, 2006

Salada de Frutas

Salam Sow, o mago africano.
Pleno de pujança, força e tranças, este 10 guineense chegou a Belém, terra onde Jesus nasceu, cheio de promessa.
Mas promessa não paga dívida, e o bom do Salam ficou em dívida para com os adeptos que gostam de bom futebol. Pois de boas intenções está o inferno cheio.

Ricardo, o Carvalho, tinha um caniche em cima da cabeça, nos tempos da colectividade de Leça da Palmeira. Essa pequena deficiência capilar foi quiçá incentivada pelo anafado Jefferson, jogador que não deixou saudades, mas deixou concerteza um belo rasto de azeite.

Velli Kassoumov, um ponta de lança de reputação, chegou a Setúbal com o golo no coração. Porém, o coração sozinho já não chegava, pois o seu joelho o do Esmantorras imitava. Velli era azeri, mas a sua saúde já não morava aqui.

João Manuel Pinto. Este senhor formava uma aliança com o salgueirista Marcos Severo, que tinha o intuito de manter o espírito de Eric "Eurico" Cantona vivo nas jornadas lusas. Porém, dizia-se à boca pequena que afinal as usuais golinhas levantadas não eram senão uma forma de impedir que o gel escorresse do cabelo para a camisola.
Com golinha ou sem ela, o outro dos outros Joões Pintos tinha a capacidade de fazer rir as bancadas pela sua forma peculiar de interpretar esse belo e didáctico jogo a que chamamos futebol. Por outras palavras, o tipo era uma nódoa.
Depois de deixar a sua marca na Invicta cidade como ponta de lança nas horas vagas, este vagabundo do rectângulo rumou a Sul para criar uma inolvidável dupla de nódoas centrais com "O Rim" Argel e formar uma "clique" de frequentadores de tascas com Fernando Aguiar e Pesaresi. Tudo isto na inolvidável época de 2001/02 para os lados da Luz, que viu emergir do nada dois sucessores de Amál...perdão, Eusébio: Pepa e Mawete Júnior, a dupla ofensiva do Dream Team/Benfica Europeu de início de Século.

Finalizando com fogo de artifício técnico-táctico, vou abrir-vos o meu coração torturado pelas vicissitudes da vida e dizer-vos com toda a frontalidade que o Rui Campos só está aqui, porque tem uma expressão de derrotado da vida de sobremaneira depressiva. Para além disso, (tal como o Emanuel do sempre pujante e vitaminado Académico de Viseu no posto anterior) o homem parece ter no mínimo idade para ser pai de metade do plantel da equipa que com galhardia representa.

É assim a vida. Mais curta que comprida.

segunda-feira, setembro 26, 2005

O MacGyver Sorridente

Há casos paradigmáticos e (porque não?), emblemáticos das cadernetas e Cadernos da Bola.Dois deles preenchem o imaginário dos aficionados bolísticos, Nito e Mílton Mendes.

Sucede que tanto um como outro insistiam em fazer exactamente a mesma expressão ano após ano, época após época, aquando dos seus 2 minutos de fama a posar para a fotografia.

O grande Nito já tem um post neste sentido (curiosamente um dos primeiros do blog), sendo que MacMílton só agora entra pela porta grande na blogosfera. O seu sorriso MacGyveriesco monopolizava todas as atenções das páginas reservadas ao clube que tinha a sorte de contar com os seus serviços.

Há que ressalvar, porém, que MacMílton sorria porque tinha confiança em si mesmo. Conseguia transformar um lançamento lateral junto à sua grande área num lance de perigo para o adversário. Com apenas um pontapé de baliza ganhava penalties. Forçava expulsões com um mexer do seu musculado dedo mindinho.

MacMílton era capaz de sair do deserto com um porta-chaves e uma laranja, dizem os mais afoitos.

Assim sendo, só teria razões para sorrir.

Sorri, Mílton, sorri!

sábado, abril 23, 2005

D. Russell Nigel I

Se porventura mencionar um diminuto jogador negro com cara de peixe e com nome de monarca nigeriano, provavelmente Carlos Secretário ou Martin Pringle são os primeiros nomes que vêm à cabeça. Apesar de não serem pequenos, negros, não terem cara de peixe ou nome de monarca nigeirano. Mas estou a divagar.

Se vasculharem um pouco mais nas vossas memórias da bola, quiçá até uns bons dez anos atrás, lembram-se concerteza de um jogador da nossa bola cuja carreira ficou manchada por um penalty falhado. Não falamos de Roberto Baggio, porque este nunca foi da nossa bola. Nunca foi dado pelo "Record" como novo reforço de um certo clube que equipa de vermelho e não se chama Salgueiros ou Gil Vicente. E daí, até é capaz de ter sido. Preenche o único requesito: a notícia seria falsa. Mas pondo de lado mais este fútil divagar, voltemos à vaca fria:

O tal jogador tem por pomposo nome Russell Nigel Latapy e tirou coelhos da cartola por vários palcos lusos, nomeadamente os de Felgueiras, Coimbra e Porto. Conhecido no seu habitat natural, Trinidade & Tobago, como "o Pequeno Mágico", este Maradona das Caraíbas deixou marcas em Portugal como "Aquele Gajo Pequeno com Cara de Peixe que Falhou o Penalty Decisivo Frente à Sampdoria, Destruindo as Esperanças de Milhões de Pessoas num Único Pontapé Infeliz".

Gozando uma reforma dourada como um bronzeado William Wallace em terras de Duncan MacLeod, o nobre D. Russell Nigel Latapy I ainda volta a Portugal de quando em vez para falhar uns penalties em jogos com amigos na praia ao domingo. Deus tenha piedade da tua alma, "Pequeno Mágico".


o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?

terça-feira, março 08, 2005

As Quinas

As Quinas.

Um pilar na fundação do "ser português", ou "portugalidade", expressão que conheceu o seu ponto de rebuçado durante o Euro 2004. Nove anos antes, as quinas procuravam significado e substância de substrato com afinco, e foi na bola que o fizeram. Mais concretamente na cidade de Marcelo, Tó-Sá e os restantes estudantes. Cinco era o número em voga. Cinco de revivalismo. Cinco de pujança. Cinco de bola. Cinco de minutos.

O espadachim Rui Carlos destanciava-se dos demais pelo seu ar cristão e defensor dos bons costumes da monarquia de D.Duarte Pio I, o Sagaz. Com uma perinha cuidadosamente aparada e desenhada, impunha o temor que só um fidalgo de bom sangue, espadachim de eleição, o poderia fazer. Porém, não o poderia fazer sozinho.

Tinha a seu lado um mito. Mito, para ser mais concreto. Este mito da bola, Mito, rivalizava claramente com Mickey pelo título de melhor alcunha coimbrã. Rivalidade essa que foi o cerne da afamada e infame Questão Coimbrã, que não foi mais senão a expulsão de Mickey do grupo dos Quinas por "este grupo ser pequeno demais para ambos os dois." (dixit Mito, 1994). Desta feita, outro valente espadachim tomou o seu lugar.

Um jovem aspirante a altos vôos. Seu nome era Jorge Silva e seu sonho era jogar na selecção nacional. Um jovem de grande valor táctico, que se movimentava no relvado ao ritmo e sequência de uma partida de xadrez. Este jovem foi posto debaixo da asa fraterna e atenta de um mito da bola: Febras.

Não mito Mito, mas mito assim com minúscula. Febras. O seu ar brolhesco não engana. Era o mais rudimentar de todos, mas destacava-se claramente por ser o autor da famosa frase, que ainda perdura nos dias de hoje: "A febra marchava!..." Claro que a sua alcunha não estará directamente relacionada com este facto, pois este orgulhoso portador de monocelha tão robusta era mesmo especialista em pôr as febras no tacho.

Estes quatro valentes e valorosos espadachins levitavam á volta de Dinis, o grande guru. Palavras para quê? Grande Dinis.

Grande, grande Dinis.

És grande, Dinis.

És um mito.


o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?

sexta-feira, janeiro 14, 2005

The Cannon Foot


Tema abordado de forma recorrente no nosso singelo blog é o do jogador uni-dimensional.

Desde ao clássico "é tosco, mas é bom cabeceador", passando pelo típico trinco raçudo (Olá, Paulinho) até ao polivalente (Então Paulinho, 'tá tudo?), o jogador da bola amiúde chega a um clube já com o destino traçado, qual actor negro num filme de terror de adolescentes.

A versão mais recorrente, e quiçá aquela que pessoalmente prefiro, é a do Pé-Canhão.
Todo o santo clube tem que ter tido, em determinada altura, um jogador deste género, que passa 89 minutos a pastar, e num minuto de rara inspiração Barrosense decide um jogo.
Pois bem, como pelos vistos na bola lusa foi complicado descobrir um jogador de tal ordem (sem desprimor para o pé-canhão do Padroense - um abraço), o nosso Dinda foi convidado a ingressar no rol de clássicos que compõem o Olimpo de Cromos da Bola Lusa.

Tornou-se de imediato o terror dos Wozniaks, dos Luíses Vascos ou Botendes. Através de disparos potentes e mal colocados disfarçou a sua inutilidade em campo durante onze anos na nossa bola. Onze bonitos anos que dividiu entre Paços, Académica, Leiria e Marítimo, sempre no registo de quem imita Luís de Matos ou Houdini durante 89 minutos para do nada aparecer aos 90 a imitar São Isaías e ser o herói da noite.

Com a sua recente debandada para a sua terra natal, a bola lusa ficou mais pobre.
Aproveito só este momento de despedidas solenes para enviar um bem-haja do tamanho da careca de Caccioli para o Argélico Fucks.

Tantas alegrias deste a todos nós que apreciamos as peripécias dos menos dotados em campo. Para sempre no coração do nosso blog. Esperemos que ambos voltem rapidamente.

Bem hajam, Dinda e Argélico. Uma porta estará sempre aberta para vós

sábado, outubro 23, 2004

Fabrice Alcebíade Maieco - O Gato Escuro

A vida ensina-nos muitas coisas. Uma delas é que a cópia dificilmente sairá com mais qualidade do que a original.

Os adeptos do Sport Lisboa e Benquerença, porém, desde há várias décadas esperam que este "milagre" se torne realidade. Pantera Negra ou Gato Escuro?

Eis que surge, nos meados da década de 90, qual D. Sebastião por entre as brumas, Fabrice Alcebíade Maieco. É um facto, não seria o nome mais recomendável para um craque. Porém, temos vários exemplos de como por vezes esta premissa é deveras enganadora. Neste caso...não foi. Fabrice não revolucionou o futebol lisboeta da forma como os seus dirigentes (famosos pela facilidade em descobrir jovens pérolas) esperavam. Desta forma, as fornalhas que preparavam o metal para construir mais uma estátua ao lado da outra que lá se encontra tiveram de ser postas em espera até ao dia em que o jovem Pepa entrou pelas portas da Luz. Porta grande, como todos se recordam.

Falamos tanto da fotocópia sem qualquer referência ao original, o que é imperdoável por se tratar do grande mito e símbolo da história desse papa-taças que é o União de Tomar. Pronto, como já fizemos referência á referência do jovem aqui referenciado, Fabrice Alcebíade, podemos prosseguir com a dissertação sobre os seus talentos.

Alcebíade acabou por não ter a carreira que todos fomos levados a acreditar que seria possível, ao estilo gingão de um Quinzinho, Gil, Toy, Mantorras ou Toni, todos pontas de lança negros que agarrados ao verde da esperança levariam o Mundo do Esférico até níveis nunca antes sonhados.

Ficou o sonho. E as fornalhas ainda fervem de antecipação. Carlitos, miúdo, isto é para ti.



o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?

sexta-feira, outubro 01, 2004

Pérolas ou ostras?

Duas pérolas encontradas no fundo.. fundo.. mesmo fundo do oceano sul-africano. Tao fundo que.. só enterravam.. quais chocos de tinta bem negra, disfarçados nos relvados Portugueses.
Passearam a sua velocidade e fúria, quais McCarthys dos anos 90. Desde Chaves a Coimbra, Barcelos, Penafiel.. belas terras viram estes belos exemplares. Bobby Robson bem o disse , quando os contratou (!!!) :"São grandes promessas africanas! " E foram.. promessas como se de um bom Governo Português se tratasse! Onde estarão...?


o que seria do mundo da bola sem registos fotograficos?
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